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História

No período que antecedeu ao início de sua efetiva colonização, no final do século 18, o Planalto de Poços de Caldas, localizado entre as Capitanias de São Paulo e das Minas Gerais, era habitado pelos índios Cataguazes.

Seus primeiros desbravadores, de origem européia, eram garimpeiros, criadores de gado ou simples caçadores de nacionalidade portuguesa, segundo narrou o major Joaquim Bernardes da Costa Junqueira a seu filho, o coronel Agostinho José da Costa Junqueira.

Aos caçadores portugueses, o major atribuiu a descoberta das fontes de águas minerais e termais do Planalto, ao procedimento natural em caçadas, de buscar os animais nos locais onde há mananciais permanentes. Essa história lhe foi narrada por seu pai, o capitão Joaquim Bernardes da Costa, que desde 1815 freqüentava aquelas bandas já na sua terceira visita em busca dos banhos sulfurosos. Mas, nessa tradição oral recolhida pelo pesquisador Pedro Sanches, os relatos dão conta de que as águas termais de Poços de Caldas eram conhecidas e utilizadas pelos índios Cataguazes muito anteriormente à chegada dos portugueses. Porém, o documento mais antigo citado pelo mesmo pesquisador, que faz referência às fontes do Planalto, é um ofício datado de 6 de setembro de 1786, dirigido ao ministro Martinho de Mello e Castro pelo governador Luiz da Cunha Menezes com a informação, a ele prestada pelo comandante do Distrito de Sapucaí, citando a existência das águas termais. Esse ofício encontra-se, em sua íntegra no fascículo 2º, ano I, da Revista do Arquivo Público Mineiro.

Foi a partir dessa terceira visita que o capitão Joaquim Bernardes da Costa passou a incentivar seus filhos a requerem para si e para seus descendentes essas terras, que lhes foram concedidas em 1820 pelo Governador das Capitanias das Minas Gerais.

O poder público só despertou para a importância das águas termais e sulfurosas muito mais tarde, ficando impossibilitado de implantar estruturas para seu aproveitamento, pois, estavam em terrenos particulares. Só em 1879, a Assembléia Provincial autorizou o Presidente da Província a desapropriar as terras em que se encontravam as fontes. Com a declaração de utilidade pública dos terrenos junto aos poços sulfurosos, o Presidente das Minas Gerais, Joaquim Floriano de Godoy decreta, em 14 de outubro de 1872, a desapropriação que, entretanto, não se realiza, porque o sesmeiro Joaquim Bernardes da Costa Junqueira, esposa e herdeiros doam 96 hectares de terra para a "fundação de uma grande cidade". Ato assinado em 6 de novembro de 1872, data da fundação da Cidade.

No dia 2 de outubro de 1886 a Freguesia recebeu a visita de SSMM o Imperador Dom Pedro II, e a Imperatriz Dona Tereza Cristina para a inauguração de um ramal da Estrada de Ferro Mogiana.

O desmembramento de Caldas deu-se em 1888, com a Lei n.º 3.659, que criou a Vila e Município de Poços de Caldas . Sua elevação à categoria de Comarca ocorreu em 20 de janeiro de 1920.

O processo de ocupação de Poços de Caldas está intrinsecamente relacionado com a constituição geológica peculiar do sítio natural onde se localiza a cidade.

A conformação do Planalto de Poços de Caldas, através do fenômeno que os geólogos chamam de intrusão alcalina, fez com que uma área de cerca de 800 km2 e 30 km de diâmetro se elevasse a uma altura aproximada de 500 metros acima da média da região circundante, apresentando uma série de pequenas manifestações vulcânicas de pouca intensidade, que se extinguiriam com o passar do tempo. As ações hidrotermais, provocadas por correntes de água e gases, vindas de grandes profundidades, foram responsáveis pela formação de jazidas de zircônio, urânio, tório, terras raras e molibdênio. Por outro lado, a ação da natureza, decompondo as rochas expostas a vento, sol e chuva, fez com que surgissem jazidas de bauxita, argilas aluminosas refratárias e rochas potássicas.

As manifestações remanescentes das ações hidrotermais são as fontes de águas sulfurosas quentes, responsáveis pelo povoamento e pela denominação do lugar como Poços de Caldas.

A região teve seu desbravamento motivado pela busca de ouro e pedras preciosas, como todo o Sul de Minas, na segunda metade do século XVIII. Na busca, foram encontradas fontes de água a 45 graus centígrados na área que passou a ser conhecida como Campos de Caldas, sendo esta última palavra originária do latim calidus. Como não fossem ali encontrados ouro nem pedras preciosas, tal parte do território ficou desabitada até a época da decadência da mineração de ouro, atividade que foi sendo substituída pela agropastoril.

Inácio Preto de Morais, pessoa originária de São Paulo, teria sido o primeiro a aí se estabelecer em 1781, nas proximidades da Cascata das Antas, devido às excelentes pastagens do local. Em 1786, teriam chegado notícias sobre as águas termais ao Governador de Minas Gerais e à Coroa Portuguesa, associadas à crença de que na região andava o diabo, devido à presença de fumaça e forte cheiro de enxofre.

No começo do século XIX, a fama das virtudes terapêuticas das caldas foi superando o medo provocado pelas crendices. Em 1818, o governador da capitania de Minas Gerais escreveu a D. João VI, louvando as virtudes das águas, que haviam aliviado seus males e dores. Em 1826, foi elaborada uma primeira planta do local, indicando nascentes de fontes, ranchos erguidos para enfermos, cemitério e área para construção de um hospital e de algumas casas. Pouco depois, Joaquim Bernardes da Costa Junqueira, que havia obtido a sesmaria em 1819, instala a Fazenda do Barreiro, núcleo da futura cidade de Poços de Caldas (barreiro era a designação dada, em Minas Gerais, para fontes perenes de águas minerais).

Em 1865, fez-se um projeto para construção de balneário e hospedaria pelo governo mineiro, para o que Joaquim Junqueira doou terras. Em 1874, embora o projeto não se houvesse concretizado, o lugar já contava com algumas moradias, dois hotéis, casas comerciais e dois bilhares, tornando-se o distrito de Nossa Senhora da Saúde das Águas de Caldas, pertencente ao município de Caldas.

Através de iniciativa privada, inauguraram-se, em 1884, o Hotel da Empresa, com sessenta quartos, salas de leitura, música e refeição, e, em 1886, o Balneário Pedro Botelho, utilizado no mesmo ano pelo Imperador D. Pedro II e D. Teresa Cristina, em visita a Poços de Caldas. Em 1883, começaram as obras de implantação de um ramal ferroviário da Estrada de Ferro Mogiana, devido à grande procura das fontes por turistas, inaugurado em 1886 com a presença da família imperial. Dez anos mais tarde entrava em funcionamento o Balneário dos Macacos.

A estrada de ferro trouxe grande vitalidade também à atividade cafeeira, introduzida em 1882, tornando a cidade um pólo aglutinador da cafeicultura da região.

O distrito foi elevado à categoria de vila em 1888, com o nome de Vila dos Poços de Caldas, desmembrada de Caldas. À época, recebeu forte influência de imigrantes italianos, que começaram a chegar por volta de 1884, para trabalhar na construção do ramal da estrada de ferro. Mais tarde vieram artesãos, padeiros, alfaiates, sapateiros, barbeiros e mestres-de-obras, em busca dos novos centros urbanos em formação. Finalmente, os últimos imigrantes desse período foram lavradores, contratados pelas fazendas de café, que introduziram o cultivo de frutas européias adaptáveis ao clima local.

No início do século XX, Poços de Caldas possuía cerca de 600 edificações e sua população ultrapassava três mil habitantes. Com ruas retas e amplas, sua malha urbana era considerada uma das mais perfeitas do interior do país. A iluminação elétrica chegou em 1898, com a Empresa Força e Luz gerando energia na Cascata das Antas. O ensino era oferecido em quatro escolas públicas e cinco particulares. A imprensa se instalou no lugar em 1889, com o jornal Correio de Poços. Com tantos progressos, a vila de Poços de Caldas foi elevada à categoria de cidade em 1915.

A partir de então, a infra-estrutura turística cresceu continuamente: em 1911 inaugurou-se o Teatro Cassino Polytheama; em 1912, o Grande Hotel; em 1919, o Cassino; em 1923, o Pálace Hotel. A cidade já contava com 10 mil habitantes em 1920, recebendo em torno de 7 mil turistas, a cada temporada. Em 1918, chegou à cidade João Moreira Salles, que se tornou proprietário de uma loja comercial (que contava com uma seção bancária), além de ter negócios de café, formando o embrião de um dos maiores complexos financeiros do País, o UNIBANCO, recém incorporado ao Banco Itaú S.A.

Por volta de 1927, Poços de Caldas viveu um processo de remodelação, com realização de obras de saneamento e distribuição de água, construção de novas termas e do Palace Cassino, reconstrução do Palace Hotel, execução de parques e jardins. As Thermas Antonio Carlos foram inauguradas em 1931, quando então foram demolidos os balneários originais e o Hotel da Empresa, já decadentes. No mesmo ano, a localidade vivia seu apogeu turístico, recebendo a visita de políticos de destaque, como Getúlio Vargas, Benedito Valadares, Juscelino Kubitschek, José Maria Alkmin e Francisco Campos.

No início dos anos 40, Poços de Caldas contava com grande número de cassinos (Palace, Urca, Ao Ponto, Quisisana, Bridge, Líder, Gibimba, Caldense, Imperial Vermelho e outros), onde se apresentavam também artistas nacionais e internacionais de renome. No citado período, foi construída a Represa Saturnino de Brito, que veio solucionar o problema de inundações na cidade, e inaugurado o Aeroporto (1938).

A Segunda Guerra Mundial (1937-1945) provocou uma considerável queda do turismo, motivada também pela perda do prestígio terapêutico das águas minerais. Para agravar ainda mais o panorama, o jogo seria proibido em todo o País em 1946, o que levou ao fechamento dos cassinos. Assim, tornou-se urgente a busca de alternativas econômicas, sendo mais viáveis a exploração de minérios e a produção industrial, até então consideradas secundárias.

Em termos das riquezas minerais, é interessante observar que geólogos e mineralogistas já pesquisavam o Planalto Caldense desde fins do século XIX, tendo início em 1909 a exploração do zircônio, exportado para Europa e Estado Unidos. Somente em 1952 foi identificada a presença de urânio no minério de zircônio, paralisando-se a exportação do mesmo. No ano de 1935 foi fundada a Companhia Geral de Minas, marco inicial da exploração mineral industrial no município, hoje controlada pela Alcoa Alumínio S.A. Na virada dos anos 50, começou a operar a Companhia Brasileira de Alumínio, enquanto a Alcoa inaugura seu complexo industrial de extração de bauxita e produção de alumina e alumínio em 1970, dando início à mineração em grande escala.

A mais antiga indústria em funcionamento na cidade é a Togni S.A. Materiais Refratários, fundada no início do século passado por um imigrante italiano como Olaria Togni, naquela época fabricando telhas e tijolos para a construção civil.

Em 1919, surgiu a Leiteria de Caldas, primeira indústria de laticínios do Sul de Minas e uma das pioneiras do Brasil na produção de queijos finos, origem do Laticínios Poços de Caldas, hoje incorporado pela Danone.

Em 1947 instalou-se a Vidraria Poços de Caldas Ltda., começo de uma produção hoje representada pelos artigos de cristal das empresas Bonora, Ca d'Oro, São Marcos e Veneza.

Os recursos minerais do Planalto de Poços de Caldas irão novamente justificar a construção de uma fábrica em 1960, ligada à presença de urânio, posteriormente suspensa pelo governo federal sob a consideração de que a porcentagem de urânio recuperável não se justificava, em termos de viabilidade econômico-financeira. Contudo, após a instalação da Comissão Nacional de Energia Nuclear na localidade sob estudo, verificou-se a existência de outro tipo do mineral radioativo, associado ao molibdênio, que o tornava comercialmente viável. O urânio passou, assim, a ser explorado a céu aberto na Mina do Cercado, no município vizinho de Caldas, cuja jazida foi a primeira economicamente explorável no território nacional.

Por outra parte, o processo histórico de ocupação de Poços de Caldas denota a relevância que o município tem sobre o seu entorno. Atualmente, Poços faz parte da Macrorregião de Planejamento III - Sul de Minas, sendo pólo de uma microrregião composta por 13 municípios - Albertina, Andradas, Bandeira do Sul, Botelhos, Caldas, Campestre, Ibitiúra de Minas, Inconfidentes, Jacutinga, Monte Sião, Ouro Fino, Poços de Caldas e Santa Rita de Caldas.

Como já mencionado, o processo de ocupação do Sul de Minas se iniciou com a busca de ouro (conforme ocorreu também em Poços de Caldas). No entanto, a trajetória regional apresenta como principal fator de povoamento, a partir do início do século XIX, o advento da cultura cafeeira, traço que, embora presente, não foi o mais marcante na microrregião de Poços de Caldas, segundo antes ressaltado.

Ademais, o programa federal de erradicação de cafezais improdutivos afetou profundamente o Sul de Minas na década de 1960. Em decorrência, a região enfrentou um período de evasão populacional e dificuldades econômicas.

Contudo, nova fase de prosperidade se iniciou nos anos 70, decorrente do extravasamento da industrialização paulista, em busca de locais alternativos com vantagens relativas e próximos a São Paulo. Começou então, no Sul de Minas, a implantação de indústrias estruturalmente modernas, distintas das de cunho tradicional e familiar que antes existiam ligadas em geral ao setor alimentício.

As vocações do município se dividiram e se equilibraram, ao longo do tempo, entre o turismo remanescente, a mineração de bauxita e as indústrias a ela associadas, a indústria de vidros e cristais, a de cerâmicas e refratários (ambas originárias da imigração italiana) e, mais tarde, as atividades ligadas ao urânio. Não podem ser esquecidas, também, a exploração agropecuária, que conseguiu se manter com café e leite, este último produto sustentando uma indústria de laticínios de qualidade, que foi elemento importante na decisão posterior de implantação da Danone. Na atualidade, a mencionada base industrial e o próprio crescimento harmônico da cidade continuam atraindo novos empreendimentos.

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